A vindima de 2018

10 Janeiro 2019 / By Quinta de Cottas

O ano vitícola de 2018 voltou a apresentar grandes dificuldades com períodos de seca, chuva prolongada, tempestades localizadas de granizo, uma grande pressão do míldio e os efeitos de uma onda de calor. Todas estas dificuldades não podiam deixar de reflectir uma quebra de produção.

Tudo começou com um Inverno frio e seco, com muito pouca chuva. A Primavera foi extremamente chuvosa, com os meses de Março, Abril e Maio a registarem níveis de precipitação equivalentes a aproximadamente o dobro da média para esta época do ano e a culminar com uma forte tempestade, com trovoada e granizo, no dia 28 de maio. Os solos foram incapazes de absorver tamanha quantidade de água em tão pouco tempo, o que provocou deslizamento de terras e queda de taludes.

Devido a estas chuvas fortes e às baixas temperaturas registadas, a fase do abrolhamento da videira e a floração tardia tiveram como consequência acentuadas perdas e o atraso do ciclo vegetativo da videira em cerca de 2 semanas.

Os elevados teores de humidade originaram as condições ideais para o aparecimento do míldio, excepcionalmente agressivo este ano, que atacou as videiras e provocou em muitos casos elevadas perdas na produção. O míldio significou também um acréscimo de custos para os viticultores, devido aos tratamentos adicionais para combater a doença.

O verão começou com temperaturas amenas, o que manteve o atraso do ciclo vegetativo, mas Agosto trouxe períodos de grande calor e temperaturas superiores à média. No início de Agosto registaram-se temperaturas superiores a 40ºC na sub-região do Cima Corgo, uma onda de calor que causou fenómenos de escaldão em muitas vinhas, com as vinhas e castas mais sensíveis e com menor resistência ao intenso calor, a sofrerem mais. O mês de Setembro apresentou-se com dias quentes, que contribuíram para uma aceleração do amadurecimento, e noites bastante frescas, o que contribuiu fortemente para a qualidade das uvas e dos vinhos.

Foi uma vindima tardia, determinada pelo atraso do ciclo vegetativo da vinha, que acabou por determinar que a vindima se realizasse aproximadamente duas semanas mais tarde do que o habitual na região, mas globalmente a qualidade foi excelente.

Os vinhos brancos mostram-se frescos, muito aromáticos, delicados e com muito boa acidez, o que desde logo antecipa potencial de envelhecimento. Os tintos são muito concentrados, com excelente cor, boa acidez, elegantes e muito equilibrados. Por entre as uvas tintas, a Touriga Franca revelou um comportamento irrepreensível, beneficiando do facto de ser uma casta que convive bem com temperaturas elevadas. A Touriga Nacional preservou a componente floral, a delicadeza e a finura e a Tinta Roriz surge com muita frescura e estrutura.

As expectativas são elevadas!